Falar sobre quem somos nunca é simples. Aos 43 anos, essa reflexão ganha um significado diferente, especialmente depois dos últimos dois anos à frente da presidência do CREA-RJ.
Esse período tem sido, sem dúvida, desafiador. Não apenas pela responsabilidade de estar à frente de um dos maiores conselhos profissionais do país, representando mais de 120 mil profissionais, mas também pela intensidade do dia a dia, pelas decisões constantes e pela oportunidade de participar diretamente de um processo de transformação do nosso setor.

Reforçamos as ações de fiscalização com a Comissão de Megaeventos, que visa assegurar o exercício legal dos nossos profissionais durante os grandes eventos no estado.

Reforçamos as ações de fiscalização com a Comissão de Megaeventos, que visa assegurar o exercício legal dos nossos profissionais durante os grandes eventos no estado.

Em atuação na reunião do Colégio de Presidentes, onde debatemos o futuro do nosso setor profissional com os representantes de CREAs de todo o Brasil.
Estar na presidência hoje faz parte da minha vida de forma muito presente. Apesar de ser um cargo honorífico, é um trabalho que exige dedicação, escuta e equilíbrio.

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Em entrevista ao RJTV, da Rede Globo, defendemos o exercício legal da engenharia após a queda de um pilarete que matou uma menina de 7 anos no Recreio; a obra foi realizada por profissionais não habilitados por ordem da administração do condomínio.
Nasci no Rio de Janeiro, em 1983, e cresci em uma família onde estudo, trabalho e valores sempre estiveram muito presentes. Carrego comigo uma mistura de origens: de um lado, Minas Gerais, da família da minha mãe; do outro, a Galícia espanhola, da família do meu pai.

Registro familiar de 1988, com meus pais e irmãos.
Foi ainda no Colégio Santo Inácio que descobri minha afinidade com as ciências exatas. A escolha pela engenharia civil veio de forma natural, tanto pelo interesse quanto pela influência do meu pai, também engenheiro. Cursei engenharia civil na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sem imaginar o quanto aquele ambiente iria transformar não só a minha formação, mas também a minha forma de enxergar o mundo.

Cerimônia de posse do meu pai como acadêmico da Academia Nacional de Engenharia (ANE)
No primeiro ano de curso, enfrentei uma longa greve. O que poderia ter sido desmotivador acabou catalisando uma nova vocação em mim. Comecei a dar aulas voluntárias de matemática em um curso pré-vestibular comunitário no meu ex-colégio, o Santo Inácio.
O que surgiu como uma forma de ocupar o tempo se tornou uma das experiências mais marcantes da minha vida. Ensinar, especialmente para alunos de comunidades, me mostrou, ainda muito jovem, o impacto real que a educação pode ter na vida das pessoas.
Pouco tempo depois, vivi outro episódio que mudou profundamente a minha trajetória. Ao participar da organização de um movimento por mais segurança dentro da universidade, percebi, na prática, a força da mobilização coletiva. Foi ali que descobri uma vocação que até então estava adormecida: a de representar, de me envolver e de tentar transformar realidades que incomodam.

Foi na Universidade Federal do Rio de Janeiro onde a engenharia começou a ganhar propósito.
Até o final da graduação, tive uma atuação intensa na representação estudantil, dentro e fora da universidade. Fui presidente do Centro Acadêmico de Engenharia (CAEng) e coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Fora da universidade, participei da criação de um programa que integrava os estudantes de engenharia de todo o estado ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), tendo sido o primeiro coordenador do CREA Estudante, hoje CREA-Jr.
A partir dali, minha vida passou a seguir dois caminhos que, desde então, caminham juntos: a engenharia e o compromisso com o coletivo.

Reunião das lideranças da engenharia da UFRJ no Centro de Tecnologia.

Cumprindo o dever como profissional do sistema durante as eleições para presidente do CREA-RJ, em 2014, na sede da CEDAE.
Antes de me tornar presidente do CREA-RJ, construí minha trajetória profissional no setor de saneamento, atuando na iniciativa privada, no serviço público e também na academia. Trabalhei por mais de cinco anos com projetos na Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) e atualmente sou engenheiro civil e hidráulico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de professor efetivo do curso de Engenharia Civil do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ).

Visita técnica com grupo de alunos do CEFET à fábrica da Saint-Gobain.
Ao longo desse caminho, sempre busquei evoluir tecnicamente, mas também compreender, na prática, o papel da engenharia como uma ferramenta concreta de transformação social.
Também me envolvi de forma cada vez mais ativa com as entidades do setor, especialmente na Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES). Ali tive a oportunidade de contribuir em diferentes funções e, mais tarde, assumir a presidência da seção do Rio de Janeiro.
Foi uma experiência marcante. Liderar a ABES-Rio me permitiu ampliar o diálogo com profissionais, instituições e com a sociedade, além de desenvolver projetos, eventos e iniciativas que ajudaram a fortalecer o setor de saneamento no estado. Essa vivência de construção coletiva foi fundamental na minha formação como gestor.

Registro de uma fase muito importante da ABES-RJ, quando estive à frente da Associação ao lado da diretoria. Foram quatro anos de trabalho intenso, em que conseguimos resgatar o protagonismo da entidade no setor de saneamento.
Na vida pessoal, encontrei meu maior ponto de equilíbrio. Sou casado com a Rafaela e pai da Antônia e do Vicente. A família me traz perspectiva, responsabilidade e propósito. É ela que me lembra todos os dias porque vale a pena fazer bem-feito e pensar no futuro com seriedade.

Celebrando o Natal em família com minha esposa Rafaela e nossos maiores presentes, Antônia e Vicente.
Foi a partir desse conjunto de experiências, profissionais e pessoais, que surgiu o convite para disputar a presidência do CREA-RJ em 2023. Aceitei o desafio com senso de responsabilidade e com a convicção de que era possível contribuir para um Conselho mais presente, mais moderno e mais conectado com a realidade dos profissionais.
Fomos eleitos com a confiança de milhares de colegas. Desde então, tenho trabalhado diariamente para honrar essa confiança, com uma gestão voltada para resultados, diálogo e transformação.

Nosso primeiro registro após o anúncio da vitória, em 2023
Hoje, vejo um caminho construído com escolhas, que me levaram da sala de aula às obras, da universidade às entidades de classe, e que culminaram na presidência do CREA-RJ.

Reunião no gabinete do CREA-RJ, reunião com Claudio Dutra, secretário de Habitação, e Wanderson Santos, secretário de Infraestrutura do Rio de Janeiro, reforçando a importância do diálogo entre a engenharia e o poder público para construir soluções para o setor profissional.




Miguel Fernández
Miguel
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